segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Conto sem nome

Como sempre, o assunto acabou antes de nos acostumarmos com a presença do outro. Eu sei que é difícil estabelecer uma conversa com alguém que raramente vemos. Mas podíamos, ao menos, fazer um esforço. Mas não, fazemos questão de ficarmos numa posição tão constrangedora que dá vontade de sair correndo. Mas a etiqueta nos impede e ficamos ali, observando as pessoas normais passando, conversando. Abro a bolsa, pego um cigarro e encontro uma ótima desculpa para sair dali. Enquanto subo as escadas do casarão, ouço ele chamar meu nome. Hesito em olhar, mas o casal que desce as escadas fazem o não-favor de me avisar. Olho para trás e ele aperta o passo e vai comigo até a varanda. Ofereço um cigarro e ele aceita. Quando vou acendê-lo, ele toma meu cigarro e me beija. Beija lento e quente, passa as mãos em meus cabelos e depois por todo o corpo. Não sei que diabos estou fazendo, mas não há tempo para pensar nisso agora. Penso apenas em como sairemos dali e iremos para um lugar mais reservado, mas sem concluir um pensamento sequer. Quando percebo, estamos nos consumindo ali mesmo, na varanda, no parapeito. É estranho como você sente que alguma coisa vai dar errado. Abro os olhos e ali está ela, sua esposa, estática, prestes a cair em prantos. Fico sem voz, sem forças para fazer com que ele veja o que eu estou vendo. Não era preciso, ele deve ter sentido o mesmo que eu e olhou para trás. Não havia nada a ser dito ou feito. Pego minha bolsa, o cigarro que estava no chão e vou embora.

3 comentários:

Dalton disse...

É verdade que todo conto é meio autobiográfico?

Mimmy disse...

Não os meus

G.G. disse...

hahahahaha

tem gente que larga mao do orkut pta nao largar mao do namoro...
enfim.